Ocuparam originalmente toda a região compreendida entre Queluz, no estado de São Paulo, e Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Foram, tanto quanto se pode deduzir, os primeiros habitantes das terras que formam os municípios. A presença do homem branco só viria mais tarde no rastro dos Bandeirantes.

No começo do ano de 1594, já havia aldeias dos índios Puri na região das Agulhas Negras. No ano de 1813, os Jesuítas encontraram os Puri às margens do Rio Preto, na região denominada Campo Alegre. Havia ainda indícios de aldeias indígenas próximas a atual Vila de Mauá.

Os Puri procuravam morar sempre perto das cachoeiras por considerá-las sagradas. Eles eram uma antiga tribo nômade e descendem de um dos maiores grupos indígenas do Brasil: os Jês. A sociedade dos Puri era como a da maioria das outras tribos: as mulheres plantavam, coziam e cuidavam da aldeia e os homens preparavam armas de guerra e caçavam. O chefe era aquele que mais se destacava em caçadas, lutas, habilidades com arco e flecha e sua coragem. Em tempos de paz, o chefe nem aparecia, pois todos os homens eram considerados iguais.

Quando uma índia ia dar à luz, se retirava sozinha para as matas, onde tinha seu filho. Ao voltar, uma grande festa na aldeia comemorava o nascimento da criança. O pajé, um tipo de curandeiro e guia espiritual, soprava fumaça sobre mãe e filho, para protegê-los dos maus espíritos.

As primeiras revelações sobre os nativos foram dos Bandeirantes que desbravaram o interior em busca de riquezas como pedras preciosas e ouro. Ao encontrar os índios, os conquistadores procuravam persuadi-los a mostrar ou dar informações sobre os preciosos minérios.

Tudo acontecia assim: os padres Jesuítas catequizavam os índios e estes diziam onde estavam as pedras amarelas. Há quatrocentos anos (século XVII), homens valentes partiram de São Paulo em direção à Serra da Mantiqueira e ao interior do Brasil. Naquela época a região era desconhecida, cheia de matas fechadas, habitada pelos índios Cataguases e por animais selvagens.

Esses homens foram em busca dos braços fortes dos índios para trabalharem na lavoura. Em vez de índios, encontraram ouro e pedras preciosas. A notícia da existência de ouro espalhou-se e bandos de homens passaram a procurar minas. Estas expedições foram chamadas de 'Entradas'.

Outros grupos (as 'Bandeiras') de homens destemidos e corajosos se reuniram em torno de um chefe, possuidor de dinheiro e escravos, para explorar as Minas Gerais. Eles seguiam as serras e os rios, que eram atravessados a nado. Em cada lugar em que permaneceram mais tempo, deixaram um começo de povoado. Logo, o caminho percorrido por esses homens valentes que começava no litoral e terminava em São João Del Rei (MG), foi chamado de 'Caminho do Ouro' ou 'Trilha do Ouro'.

Geralmente esses homens eram acompanhados por padres Jesuítas, razão pela qual em toda cidadezinha do interior há uma igreja católica na praça. Foi dado à região o nome de Território das Minas, que se tornou mais tarde Minas Gerais. Os padres e homens que para lá iam em busca do ouro foram chamados de 'Bandeirantes'. O ciclo do Ouro durou dois séculos.

Em 1739, o coronel Simão da Cunha Gago casado com Ana Pimenta de Abreu, partiu com um grupo de homens para explorar ouro em Minas Gerais. Três anos depois, em 1742, chegaram em Alagoa, depois de cruzar a Serra das 3 Estacas, no Vale do Aiuruoca (nome dado pelos índios a um rio que corta a região ).
  
   AIURU-OCA > casa do pássaro que fala ou casa do papagaio.

  Eles retiraram uma grande quantidade de ouro, mas não sabiam como escoar esse ouro até o porto de Angra dos Reis. A rota do ouro estava do outro lado da Serra da Mantiqueira (nome indígena que significa 'lugar onde nascem as chuvas ou águas').

Traçando uma linha reta em direção ao litoral, abriram uma nova rota: partindo do vale do Aiuruoca, passaram pelo vale do Rio Grande e depois pelo vale do Rio Preto, que foi atravessado na altura de Passa Três ou Campo Alegre (neste ponto a trilha é chamada de Cava Funda) cruzaram a Serra da Pedra Selada e chegaram ao vale do Rio Paraíba do Sul. Dali seguiram para São José do Barreiro (SP), onde estava a rota do ouro que vinha das Minas Gerais.

Segundo historiadores, Simão da Cunha Gago, ao chegar ao vale do Rio Paraíba, foi atacado pelos índios, e obrigado a ficar ali. Montou um forte à margem esquerda do rio, onde fixou residência, dando ao lugar o nome de 'Sítio Campo Alegre da Paraíba Nova', que mais tarde se tornou Agulhas Negras e finalmente Resende.

Fonte: Memórias das Províncias do Rio de Janeiro, do Dr. João de Azevedo Carneiro Maia.